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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

História dos DSS

Times: 1982-2006 (A maturidade é uma conquista poderosa mas lenta ...)

No seu livro Decision Support Systems in 21st Century, Marakas entrelaça as raízes dos DSS com o esforço dos gestores em aplicar modelos quantitativos aos problemas de decisão recorrentes nos ambientes organizacionais. Para o autor, o conceito surge no início dos anos 70 e dois artigos são destacados como referências para o desenvolvimento do conceito e para a formalização da terminologia Decision Support Systems.

O primeiro artigo, datado de 1970 e escrito J.D. Little (1970), intitulava-se “Models and managers: The concept of a decision calculus” e focava a não utilização dos modelos de gestão vigentes na época pelos decisores. Ainda sem invocar especificamente o termo DSS, o autor descrevia o decision calculus da seguinte forma: “a “model-based set of procedures for processing data and judgments to assist a manager in his decision making”. O título do artigo e a própria definição explicitam o enfoque dado pelo autor à componente de modelização. Como condição para o modelo ser usado por um gestor, ele deveria ser simples, robusto, fácil de controlar, adaptativo, o mais completo possível e de fácil interacção. O próprio Marakas recupera algumas destas características na sua definição de DSS, nomeadamente o estar sob o controlo do utilizador do sistema, a interactividade e o ser user-friendly (a ergonomia do sistema), ter um desenvolvimento evolutivo e iterativo (citando Little, “adaptative means that the model can be adjusted as new information is acquired”).

Começa a delinear-se o que se entende por model-driven DSS. Segundo Powers (2003), estes enfatizam o acesso e a manipulação de modelos financeiros, de optimização e/ou simulação. Modelos quantitativos simples, sem a necessidade de serem alimentados por grandes bases de dados, orientariam o decisor no processo de tomada de decisão. Segundo o mesmo autor, é no final dos anos 70 que surge a primeira ferramenta comercial para a construção de model-driven DSS, tendo por base modelos financeiros e quantitativos – chamava-se IFPS e foi desenvolvida na Universidade do Texas por Gerald. R. Wagner em conjunto com os seus alunos.


O segundo artigo referido por Marakas, escrito por Gorry and Scott Morton (1989) – “A framework for management information systems”, apresenta pela primeira vez o termo Decision Support System .Os autores apresentam um framework assente em dois eixos para fornececer suporte computarizado a actividades de gestão.

O eixo vertical resulta da classificação de estuturação da decisão proposta por Simon. Simon sugeriu que as decisões podem ser categorizadas de acordo com o facto de serem programáveis (repetitivas, rotineiras, de senso comum) ou não programáveis (novas e únicas no seu contexto, com consequências incertas).

O eixo horizontal representa os níveis das actividades de gestão propostas por Anthony (1965). Este autor considera que as actividades de gestão podem ser categorizadas em 3 classes – o planeamento estratégico, o controlo de gestão, controlo operacional. Através da combinação das abordagens dos 2 autores, o framework proposto por Gorry e Morton servia como guia para a afectação de recursos de SI onde houvesse o maior Return On Investment.

Ainda nos anos 70, começam a surgir os primeiros data-driven DSS que, segundo Powers, enfatizam o acesso e a manipulação de séries temporais, privilegiando os dados internos das organizações. Trata-se portanto do aproveitamento dos dados históricos na posse das organizações como matéria-prima de suporte ao processo de tomada de decisão. Através de ferramentas de query conseguem-se obter respostas a perguntas de negócio “escondidas” nos dados.

Segundo o autor, é neste contexto que se enquadram os EIS (Executive Information Systems) e os ESS (Executive Support Systems), que podem ser entendidos como um sistema de informação de gestão que apoiam a tomada de decisão e que integram dados internos e externos à organização. Estes sistemas evoluíram dos model-driven DSS e da utilização de bases de dados relacionais, focando-se no display gráfico da informação, apelativo para o gestor e na usability dos interfaces. Estamos nos anos 80.

Nos anos 90, o data warehousing e o OLAP (On-Line Analytical Processing) alargam o que já se havia alcançado com os EIS e estendem o âmbito dos data-driven DSS, por permitirem lidar com quantidades de dados na ordem das dezenas de terabytes. Inmon e Kimball estiveram na linha da frente destas evoluções, como “the father of the data warehouse” e “the doctor of the DSS”, respectivamente.

Voltando a Marakas e à discussão entre dados e modelos, o autor considera que ambos definem um DSS. O autor considera que a evolução dos DSS desde a sua concepção em 1970 até aos dias de hoje sofreu já inúmeras extensões da noção original. A visão evolutiva dos DSS inclui um foco em knowledge-based systems, inteligência artificial, expert systems, group support systems, data visualization systems and organizational decision support systems. Uma resenha histórica sem citar estes sistemas não estaria nunca completa.

Powers aborda o futuro dos DSS do ponto de vista da evolução tecnológica, enquanto Marakas realça sobretudo a evolução da mentalidade das organizações e do gestor, ao afirmar que “managers will rely on the availability of more powerfull and usefull DSS applications in the conduct of their daily activities”. Podemos ter os olhos postos no futuro mas convém ir dando uma piscadela ao passado. É que em 1947 Simon publicava o seu livro Administrative Behavior, que é até hoje uma referência na forma como mostra que as organizações podem ser entendidas em termos do processo de decisão. Fala-se de tecnologia, mas fala-se sobretudo de pessoas. Os editores da Times deviam ter lido o livro em 1982 ...

domingo, 21 de outubro de 2007

Perfil de Entrada no MSIAD

Já estava na altura de tornar pública a minha interpretação/descodificação do modelo de classificação dos candidatos ao MSIAD. De facto, este modelo já tinha sido partilhado no inicio de Outubro com a Profª e com os meus ilustríssimos colegas de grupo. Partilhei-o com a Fernanda, após ter sido lançado o desafio de fazermos evoluir as nossas soluções individuais para um modelo mais robusto e que permita tratar vários objectos (i.e., várias candidaturas) em simultâneo.



Ora cá vai um print screen do interface de input/output, que este mundo dos blogs limita um bocado a partilha completa do que andamos a fazer:


Esta solução foi construida na perspectiva do Avaliador, que após a recepção das candidaturas e realização da entrevista, estará nas devidas condições de avaliar - quantitativa e qualitativamente - cada um dos candidatos (no entanto, como aluna do MSIAD 07/08, sinto-me orgulhosa em fazer parte da amostra de teste que vai ser usada para o aperfeiçoamento da solução, através da minha auto-avaliação). Eis as regras resumidas de funcionamento deste DSS* :

Inputs

- O Avaliador deve atribuir uma nota de 0 a 4 (0 - Nulo a 4 - Especialista) ao Nível de Conhecimento (Académico) por ramo científico, decorrente da análise do CV+Certificado de Habilitações+Ficha de candidatura.

- O Avaliador deve preencher com Sim ou Não outros itens de avaliação, que devem complementar o perfil do candidato, numa óptica qualitativa.


Outputs

O output final é composto por 3 grandes resultados, de forma a que o Avaliador tenha uma visão rápida do Perfil completo do candidato:

- a prevalência das áreas de formação no percurso académico do candidato, que vai ser traduzida nas várias combinações possíveis entre Gestão, Informática e Mét. quantitativos, que designei Perfil de Entrada (passadas 2 semanas e meia, já discordo com esta designação);

- o nível de conhecimento Global do candidato, que pode ter 1 de 5 valores possíveis (de Nulo a Especialista);

- as considerações adicionais ao perfil, neste caso entendidas como o suporte da candidatura por outros factores.


Modelo (... UAU!!...)


Ora bem, na worksheet REGRAS_DE_CLASSIFICACAO descreve-se o funcionamento do modelo. Resumidamente:

- o modelo assume que o nível de conhecimento Global do candidato deve ser obtido a partir do nível de conhecimento associado a cada uma das 3 grandes Áreas. Assim:

- primeiro calcula-se a média simples de cada uma das 3 grandes áreas de conhecimento; obtemos assim o nível médio de conhecimento por Área.

- o nível de conhecimento Global obtém-se fazendo a média simples do nível de conhecimento obtido nas 3 áreas. O output Nivel Global categoriza este valor.

(nota: não foram consideradas ponderações por não terem sido explicitadas importâncias relativas de disciplinas/áreas no enunciado do problema)

- As médias obtidas permitem criar um ranking das áreas, ou seja, hierarquizam-se as áreas por nível de conhecimento;

- O ranking das áreas permite classificar o candidato nas diversas combinações possiveis entre as classes Gestor/Matemático/Informático

(nota: se determinada área tem uma classificação final Nula ou Básica, é desprezada na combinação, e.g., Gestão = Nível Nulo, Informático = Nível Intermédio, Met. Quant. = nível Básico => Perfil Entrada = Informático)

- Para obter um perfil mais completo do candidato, teve-se ainda em conta a presença/ausência de 4 indicadores (avaliados com SIM/NÃO) e com o mesmo peso. Classifica-se assim o candidato com base no suporte da candidatura por outros factores, com 4 níveis - Nulo, Fraco, Bom, Excelente.



Se houver interessados no ficheiro original, deixem um comment e email para onde devo enviar. Se não estiverem interessados e quiserem apenas tecer algumas considerações sobre esta solução, deixem um comment na mesma.

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* Fazendo uma leitura desta proposta à luz do que é um DSS, conseguimos ver reflectidas as seguintes caracteríticas:

- um contexto de decisão semi-estruturado (ok, pretende classificar-se o candidato de acordo com o seu perfil de entrada e decidir se determinado candidato é apto ou inapto, mas existem n alternativas para o decisor basear a sua decisão: a quantificação da experiência adquirida no percurso profissional, como associar essa aprendizagem, que é tipicamente multidisciplinar e de alto nível, a uma das disciplinas da listagem inicial ...)

- suporta o decisor, não o substituindo - permite a visão global do candidato e sustenta uma decisão, mas a palavra final é sempre do decisor, que terá de combinar os 3 grandes resultados para uma decisão final;

- suporta todas as fases do processo de tomada de decisão (invocando Simon, Intelligence, Design and Choice - não obstante o nível básico em que esta (amostra) de sistema ainda se concontra);

- foca-se sobretudo na eficácia do processo de tomada de decisão;(é atribuida uma classificação que se pretende com o minimo de erro, não é?)

- o utilizador controla o sistema (as regras de classificação estão disponiveis para consulta e alteração);

- usa dados e modelos (ok, desta não há como discordar);

- é interactiva e user-friendly (digam-me de vossa justiça, construi-a com esses dois objectivos em mente);

- resulta de um processo evolutivo e iterativo (a primeira versão tinha pouco a ver com esta, e esta ainda tem um enorme potencial de melhoria);

- permite suportar todos os níveis de gestão (no limite, os serviços de apoio ao Mestrado podiam começar por usar o sistema para uma primeira fase de filtragem dos candidatos, assim a Profª Trigueiros não teria de perder tempo a ler CV's inadequados neste contexto ...);

- permite suportar decisões independentes ou interdependentes (por exemplo, decidir com base no nível académico e/ou outros factores);

- permite suporte para tomada de decisões multi-contexto: individual e grupo/equipa (bem, neste momento só permite tomar decisões individuo a individuo mas a turma está a tratar do resto, apoiada na versão da Fernanda e nos contributos de todos ...)